A Igreja sempre nutriu – e continua a nutrir
– o mais elevado amor e respeito pela Carta de Deus, recordando, evidentemente,
sua indizível importância na vida das pessoas e na vida da comunidade dos
seguidores de Jesus de Nazaré. Podemos dizer, sem medo de errar, que a Palavra
de Deus foi – e sempre será – a alma, ou a vida, da Igreja, escrita em épocas
diferentes e distantes da nossa, na busca, sempre e cada vez mais, da autêntica
transmissão da mensagem de Deus, numa fiel linguagem, sem se afastar da vontade
divina.

No mês da Bíblia de 2020, ao se aprofundar o
livro do Deuteronômio – com o tema da anistia, ou da remissão, e o lema “Abre
tua mão para o teu irmão” (cf. Dt 15, 11) –, alimenta-se o desejo de que a
comunidade de fé seja, de verdade, animada pela proposta da Palavra de Deus, no
sonho da ideal vida fraterna, ou solidária. O povo jamais pode prescindir do
Livro Sagrado, na clareza de que “toda a escritura é inspirada por Deus e útil,
a fim de ensinar, corrigir e educar na justiça” (cf. 2 Tm 3, 16). À luz da
Palavra de Deus, que nossa fé seja a resposta generosa de um Deus que quer se
manifestar e se revelar, oferecendo-nos a condição de perceber os sinais de
dores, angústias e sofrimentos, pelas quais passa a humanidade, neste tempo de
Covid-19, tendo a consciência de que a hora é de Deus.
Deus não cessa de ensinar e acompanhar o
destino do povo que Ele escolheu como sua herança. Na sua promessa salvífica,
Ele nos quer na nossa missão, recebendo dom e graça de suas mãos, como seus
colaboradores, numa empreitada, em que seu desejo consista no surgimento de
estreitos laços de fraternidade. Da nossa parte, cabe uma generosa resposta, ou
acolhimento, colocando-nos à disposição da sua misteriosa vontade, no constante
esforço de eliminar antagonismos, desavenças e intrigas na comunidade dos
batizados, num ambiente em que se favoreça um convívio recíproco, leal e
afetuoso, com lugar para todos se sentarem na mesma mesa.
Como é maravilhoso o Livro Sagrado! A ele não
podemos renunciar, nem abster-nos dele, pois nele é revelado um Deus clemente e
indulgente. Além do nosso louvor, bendigamos a Ele, por seus incontáveis
prodígios, revelados e manifestados ao mundo, muito acima de nossos méritos. Na
dinâmica de sempre melhor aprofundar o Livro Sagrado, revelado e inspirado, que
Deus nos cumule com o espírito de São Jerônimo (342-420), doutor e especialista
no assunto, mas de um modo imbatível e inigualável. A Igreja Católica o
reconheceu, sem questionar, como homem eleito por Deus para explicar e fazer
compreender, do melhor modo, a Palavra de Deus. Assim seja!
Fonte: Arquidiocese de Fortaleza